sexta-feira, 26 de junho de 2026

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Estou deitada, esperando os remédios fazerem efeito e apagar. Só quero ficar ausente por muito, muito tempo. Tempo suficiente pra eu esquecer tudo que eu tenho vivido e tenho que viver. 
Odeio quando tenho que falar sobre planos pro futuro, mesmo isso sendo muito necessário, porque quando falo eu percebo a merda de situação que eu tô. E o quanto eu só quero urgentemente sair dela.
Ao mesmo tempo, nada está para explodir, nada está tão drasticamente em desequilíbrio. É só que faz tanto tempo que estou suportando e suportando, pequenas e grandes coisas, frustrações enormes, esperas longas e falta de perspectiva que eu estou esgotada.
A cada semana acho que não vou aguentar a próxima, aí aguento e sigo. Ou melhor, continuo. Porque não sinto que estou indo pra lugar nenhum.
Até os meus objetivos que eu via com tanta beleza, o tempo tem desgastado e agora eu só quero que aconteçam o quanto antes.
Não acredito em nada divino, até nisso estou sozinha.

Só quero apagar minha cabeça.

terça-feira, 2 de junho de 2026

A minor flaw

A minor flaw and then I fell
I brought this house down on myself 

Queria ler agora antes de dormir, mas não estou conseguindo me concentrar em nada ultimamente. Esses últimos dias, passei muito preocupada, muito mesmo, e sentindo muito forte o peso das responsabilidades.
Acredito que tenha começado quando cometi um erro no trabalho que influenciou na minha comunicação direta com os pacientes.
É difícil descrever o quanto é difícil para mim enxergar a mim mesma como profissional competente, ou minimamente digna. Minha autoestima já tem muitos problemas, mas messa área do trabalho é muito pior.
Tudo que me expõe ao mundo me machuca, me faz tremer de medo, me dá uma insegurança paralisante. Não sei por quê não posso existir no olhar do outro. Não consigo deixar de sentir algo de uma possibilidade de punição nessa exposição, como se ser vista significasse ser pega no flagra. Mas não é apenas isso.
Escrevo pra tentar aliviar os pensamentos da cabeça, que andam muito acelerados. Ando triste, com pouca esperança, extremamente pressionada pelo meu dia a dia.
Esperar o financiamento da casa tem sido indescritivelmente difícil. Todas as minhas esperanças passam por me mudar, e cada dia sem poder fazer isso me pesa muito emocionalmente.
Dentro da minha casa, e consequentemente de minha família, me sinto morta, inexistente, e tenho pensado que foi assim a minha vida inteira e eu só insisti em não ver. Agora, é difícil perceber que meu ódio não tem pra onde ir, porque nada adianta mais. As pessoas não mudam e não se importam, e nada é capaz de fazer elas se importarem. Hoje também entendo que ninguém tem obrigação de se importar. Mas eu também não tenho obrigação de ficar.
Queria concluir algo bom aqui mas a luz celular está me incomodando e eu tenho que acordar cedo.

Volto em breve.

domingo, 31 de maio de 2026

Retour



Não gosto de pensar nesse post como um retorno, mas já coloquei esse nome no post. Antes de começar a escrever, fui ler o que eu escrevia aqui tantos anos atrás. E cara, parecem séculos.
Superei tanta, tanta coisa. Morri várias vezes, de algumas maneiras. Hoje venho aqui sendo muito do que sempre sonhei, mas com um medo pavoroso e persistente dentro de mim.
Acho que me entristece o fato de perceber que o medo não desaparece quando a causa direta dele não existe mais. Hoje vejo que meu medo está entranhado em tudo que sou, em tudo que sinto e vejo, no agora, na minha história e no meu futuro.
Hoje, estudando psicanálise, algumas coisas parecem mais claras, mas racionalizar meus sintomas não tem mais efeito do que uma frase positiva. Nessas horas, vejo claramente como o sintoma é um compromisso ao qual eu me agarro com todas as minhas forças. Fico muito triste pensando em que momento as possibilidades externas se tornaram tão assustadoras a ponto de eu preferir o medo.
Às vezes não vejo sentido nenhum no que eu falo. Eu só falo, e sinto de algum modo que não estou sendo totalmente verdadeira comigo mesma.
Hoje, trabalho em um lugar que me suscita muitos medos, que me coloca muitas vezes em posição de submissão e pior, repreensão. E minha vida parece uma grande tentativa de fuga da punição.
Todos parecem grandes e poderosos pra mim, e eu nunca pareço ter forças para encarar nenhum deles. Na minha última consulta, enquanto eu falava que sinto que tudo que eu faço ou que é importante para mim gira em torno de questionar, afrontar e destituir auutoridades, poderes. Falava do meu ódio por hierarquias, do quanto me sinto esmagada subjetivamente perante qualquer tipo de autoridade. E então, quando eu falava sobre destituir e enfrentar o poder como sendo as únicas posições que exerço, minha psicóloga me lembrou de que ocupar posições de poder também pode ser uma possibilidade. 
Eu não consigo expressar o caráter de ineditismo que essa intervenção (como é realmente o objetivo de intervenções em psicanálise) teve pra mim. Eu simplesmente não conseguia e mesmo depois da fala dela, não consigo me conceber ocupando espaços de poder.
Gostaria de dizer que é simplesmente por não desejar, ou por não acreditar nesse tipo de relação de dominação do outro. Mas na verdade, eu não me vejo pertencente a qualquer coisa, lugar, espaço, onde minha existência seja validade enquanto algo de valor. Nesse sentido, exercer poder me é totalmente inconcebível. Sempre existi na discrição forçada, na exclusão, nas bordas. Em termos de existência, sempre me senti boiando em alto mar, agarrada a um canto onde qualquer movimento mais audacioso poderia significar a minha morte. 
Me ver assim, vulnerável e insegura, me faz pensar que não estou pronta para a vida adulta. Essa vida que tanto idealizei, e na qual depositei todas as minhas esperanças de me tornar pessoabde verdade. Perante aos outros e a mim mesma. Hoje vejo que existir, quando não é garantido à criança em seus primeirissimos anos de vida, não é algo que um emprego, uma formação ou uma autorização do outro é capaz de conceder. Na verdade, existência não se concede.
Dito isso, não sei existir. Nem para mim, nem para os outros. Não me interessa mais culpar ou punir as pessoas que acredito terem contribuído pra essa minha ausência. Só quero não precisar delas. Quero andar passos seguros, inocentes mesmo. Porque acredito que a inocência é o maior ato de abertura possível.
Nisso, ainda me sinto pessoa. O problema é que quando o outro não trata essa inocência com delicadeza, e pelo contrário, a trata como fraqueza, eu me destruo. Simplesmente não sei resistir à intenção destruidora do outro. Tudo me destrói, tudo me abala.
Apesar disso, não quero deixar de sentir. Mas quero ter segurança no que sinto.
Se liberdade é não ter medo, sou prisioneira de tudo, desde meu nascimento. Busco agora me encontrar, com alguma esperança, mas entendendo que acima de tudo, preciso de coragem. Coragem de resistir, de falhar, de cair, me machucar, e não acreditar que essas coisas me definem.
Não queria precisar de uma casca, uma armadura, mas ainda vejo muitas ameaças por toda a parte. Vou sendo como posso, tentando me perdoar todo dia.
Infelizmente, ainda estou me anestesiando muito. Gosto de acreditar que é pelo cenário que vivo agora. Espero um dia sentir sem precisar de recursos de proteção.
Espero não só existir sem medo, mas, sem medo, finalmente existir.