domingo, 31 de maio de 2026

Retour



Não gosto de pensar nesse post como um retorno, mas já coloquei esse nome no post. Antes de começar a escrever, fui ler o que eu escrevia aqui tantos anos atrás. E cara, parecem séculos.
Superei tanta, tanta coisa. Morri várias vezes, de algumas maneiras. Hoje venho aqui sendo muito do que sempre sonhei, mas com um medo pavoroso e persistente dentro de mim.
Acho que me entristece o fato de perceber que o medo não desaparece quando a causa direta dele não existe mais. Hoje vejo que meu medo está entranhado em tudo que sou, em tudo que sinto e vejo, no agora, na minha história e no meu futuro.
Hoje, estudando psicanálise, algumas coisas parecem mais claras, mas racionalizar meus sintomas não tem mais efeito do que uma frase positiva. Nessas horas, vejo claramente como o sintoma é um compromisso ao qual eu me agarro com todas as minhas forças. Fico muito triste pensando em que momento as possibilidades externas se tornaram tão assustadoras a ponto de eu preferir o medo.
Às vezes não vejo sentido nenhum no que eu falo. Eu só falo, e sinto de algum modo que não estou sendo totalmente verdadeira comigo mesma.
Hoje, trabalho em um lugar que me suscita muitos medos, que me coloca muitas vezes em posição de submissão e pior, repreensão. E minha vida parece uma grande tentativa de fuga da punição.
Todos parecem grandes e poderosos pra mim, e eu nunca pareço ter forças para encarar nenhum deles. Na minha última consulta, enquanto eu falava que sinto que tudo que eu faço ou que é importante para mim gira em torno de questionar, afrontar e destituir auutoridades, poderes. Falava do meu ódio por hierarquias, do quanto me sinto esmagada subjetivamente perante qualquer tipo de autoridade. E então, quando eu falava sobre destituir e enfrentar o poder como sendo as únicas posições que exerço, minha psicóloga me lembrou de que ocupar posições de poder também pode ser uma possibilidade. 
Eu não consigo expressar o caráter de ineditismo que essa intervenção (como é realmente o objetivo de intervenções em psicanálise) teve pra mim. Eu simplesmente não conseguia e mesmo depois da fala dela, não consigo me conceber ocupando espaços de poder.
Gostaria de dizer que é simplesmente por não desejar, ou por não acreditar nesse tipo de relação de dominação do outro. Mas na verdade, eu não me vejo pertencente a qualquer coisa, lugar, espaço, onde minha existência seja validade enquanto algo de valor. Nesse sentido, exercer poder me é totalmente inconcebível. Sempre existi na discrição forçada, na exclusão, nas bordas. Em termos de existência, sempre me senti boiando em alto mar, agarrada a um canto onde qualquer movimento mais audacioso poderia significar a minha morte. 
Me ver assim, vulnerável e insegura, me faz pensar que não estou pronta para a vida adulta. Essa vida que tanto idealizei, e na qual depositei todas as minhas esperanças de me tornar pessoabde verdade. Perante aos outros e a mim mesma. Hoje vejo que existir, quando não é garantido à criança em seus primeirissimos anos de vida, não é algo que um emprego, uma formação ou uma autorização do outro é capaz de conceder. Na verdade, existência não se concede.
Dito isso, não sei existir. Nem para mim, nem para os outros. Não me interessa mais culpar ou punir as pessoas que acredito terem contribuído pra essa minha ausência. Só quero não precisar delas. Quero andar passos seguros, inocentes mesmo. Porque acredito que a inocência é o maior ato de abertura possível.
Nisso, ainda me sinto pessoa. O problema é que quando o outro não trata essa inocência com delicadeza, e pelo contrário, a trata como fraqueza, eu me destruo. Simplesmente não sei resistir à intenção destruidora do outro. Tudo me destrói, tudo me abala.
Apesar disso, não quero deixar de sentir. Mas quero ter segurança no que sinto.
Se liberdade é não ter medo, sou prisioneira de tudo, desde meu nascimento. Busco agora me encontrar, com alguma esperança, mas entendendo que acima de tudo, preciso de coragem. Coragem de resistir, de falhar, de cair, me machucar, e não acreditar que essas coisas me definem.
Não queria precisar de uma casca, uma armadura, mas ainda vejo muitas ameaças por toda a parte. Vou sendo como posso, tentando me perdoar todo dia.
Infelizmente, ainda estou me anestesiando muito. Gosto de acreditar que é pelo cenário que vivo agora. Espero um dia sentir sem precisar de recursos de proteção.
Espero não só existir sem medo, mas, sem medo, finalmente existir.

segunda-feira, 12 de abril de 2021

Maintenant

 Estou adiando vir aqui há muito, muito tempo. Perdi em grande parte o hábito da escrita. De certa forma, tinha cansado dos meus problemas, dos meus pensamentos. Me parecem os mesmo há anos. E coisas sem solução me cansam.

Mas ainda tenho muita coisa pra ser trabalhada e sei que só escrever pode me ajudar agora. Tenho me afastado de tudo que envolve qualquer nível de abertura. Parei de escrever, de ler, de ver filmes ou séries. Tudo que se assemelhava a abertura à experiências me cansava de longe. Faz mais de um ano que estou só esperando. Não sei exatamente o quê, mas acredito que seja alguma volta a normalidade, alguma volta de esperança de poder agir e correr atrás do que quero.

As principais questões que vivo no momento eu não quero falar aqui. Ainda são muito duras de encarar. Mas estou aqui, mesmo que a contragosto.

Ontem fiquei muito triste pensando novamente que tenho muito pouco no momento, na verdade, só tenho meus conhecimentos e esperanças. E às vezes fico tão fraca que acho que não vou conseguir fazer mais nada.

Sinto falta de quase tudo que fui há três anos atrás. Sinto falta de me interessar sem medo, de me encantar com o que não conheço e ter coragem de buscar entender. Hoje meu medo me coloca numa posição estagnada. Não me sinto confortável nem onde estou nem onde posso ir.

Não sei exatamente o que deu errado, e não sei se quero saber. Escrevendo aqui agora, fico triste em ver que estou tão cansada quanto há um ano e meio atrás, quando eu estava no pior lugar pra mim.

Mas se algo aconteceu de bom nos últimos tempos é que eu consegui tomar uma decisão grande, ainda que pareça um passo atrás. Fiz buscando sair do insuportável, mas sem saber aonde ir. Acho ruim que eu sempre dixe as coisas chegarem numa situação limite de insuportável para conseguir sair delas. No geral só suporto e suporto. Pensando sobre isso, acho que é o que a minha história de vida me ensinou e também o que aprendi da minha mãe. Suportar e se manter em situações horríveis. Parece estranho, mas muitas vezes buscar o melhor pra si mesmo é muito difícil. Envolve autoestima, amor próprio e esperança, e eu não acredito que tenha nada disso neste momento. Ou que tenha tido em qualquer momento da minha vida.

Estou assim no momento. Sigo tomando meus remédios, e só. Não acredito que consiga fazer mais que isso no momento.


Dill, xx.

terça-feira, 2 de março de 2021

off

 Faz muuuito tempo que não passo aqui.

Nunca estive tão cansada dos meus sentimentos. De estar no mesmo lugar. De sentir as mesmas coisas.

Dei alguns passos importantes nos útimos tempos, mas que ainda não deram frutos. Ainda não sei aonde estou nem o que estou fazendo.

Estou passando por várias coisas mas não aguento falar de nenhuma delas. Porque todas elas ficam ecoando na minha cabeça o dia inteiro. É tudo o que eu ouço.

Queria falar algo melhor aqui, mas é isso. Estou mais forte mesmo assim. Buscando ser fiel à mim. Acho que com o tempo as coisas vão se ajeitar e doer menos.


segunda-feira, 17 de agosto de 2020

Obstacle

"But it's different now that I'm poor and aging

and I'll never see this place again"

Eu me sinto mal praticamente o tempo todo quando estou sozinha. Por isso passo todo o tempo que posso com a minha família, e a rotina de isolamento tem sido boa pra mim por permitir que eu fique perto delas. Eu fico vendo tv com a minha mãe o dia todo, e os dias são quentes e confortáveis. Eu faço carinho nas gatas e cuido da casa, e faço comida quando quero. Apesar de nos dias ruins eu não querer me mexer, tenho que fazer alguma coisa, porque estar em casa também significa estar sob regras de outras pessoas. Mas no geral estou me sentindo com sorte por ter escapado daquela rotina massante por um tempo.

Agora estou meio travada pra qualquer coisa que envolva produtividade. Não quero fazer nada. Não leio, não vejo séries nem meus filmes sozinha. Fico atrás da minha família, procurando companhia. Acho que estou querendo aproveitar todo o tempo que tiver aqui. 

Estou tentando ser menos má, e aceitar algumas coisas. Mas continuo querendo esquecer tudo, fugindo mentalmente.

Não sei se estou feliz, mas tenho sorte. Estou bem, mas por saber que esse período de calma tem prazo de validade, não consigo relaxar muito. Sinto que estou esperando me chamarem pra guerra. Faço o que consigo, e é bem pouco, mas está tudo bem.


Dill, xx.

segunda-feira, 8 de junho de 2020

Days

Eu não tenho mais muita noção dos meus dias, mas vivendo um de cada vez, no geral as coisas estão mais ou menos. Tenho poucos dias bons, e quase todos passo muito nervosa. Continuo tomando a medicação numa frequência bem maior que antigamente, mas penso que é o necessário agora.
Quase todo dia passo por algum episódio de agonia, com uma dor no peito muito profunda e ruim, e não sei exatamente solucionar isso. Só me dou tempo e espero passar. As coisas só ficam mal mesmo quando começo a pensar no futuro e nas minhas condições de enfrentá-lo.
Nesse semestre já pensei várias vezes em parar a faculdade, em fazer outro enem, e de vez em quando até em me internar em algum lugar, coisas que trazem aquela fantasia de melhora pelo afastamento dos problemas, mas que eu seu muito bem serem apenas fantasias. Não vai ter jeito fácil de terminar a minha faculdade, e eu só posso encarar e encarar.
Apesar disso tudo, não tenho muito do que reclamar porque tenho um ambiente estável e seguro (na maior parte do tempo), e sei que muitas pessoas estão tendo preocupações muito piores.
Estou novamente com alguns problemas financeiros mas não tão ruins quanto antes.
Sinto falta de ler mais e assistir mais filmes.

Vou seguindo aqui, tentando aprender mais e me conectar com o que amo.
Ainda tenho esperança.

Dill, xx.

sexta-feira, 8 de maio de 2020

En attendant

Aconteceram muitas, muitas coisas mas vou deixar todas pra lá. Eu só queria falar da longa e dolorosa espera que estou passando nas últimas semanas (drama). Haha, e que eu passei por alguns momentos tensos, por pura loucura minha, na decisão ou não de comprar uma camisa xadrez (sim, mais uma. YOLO). Sei que o estado de nervos que fiquei pra isso foi muito além do normal, inclusive estou aprendendo muito sobre mim mesma neste período de reclusão obrigada. Mas foi nesse estado que resolvi comprar a camisa, e fiz isso. Mas depois de uma semana de nenhuma notícia de envio, percebi também que não tinha visto as medidas, e que tinha pedido o tamanho errado. Aí, comecei a ficar nervosa com o tempo de troca. E nervoso atrás de nervoso, eu já estava cansada e doida e percebendo como estava me desgastando por isso. Aí comprei a do tamanho certo pretendendo devolver a outra, e agora faz dois dias que não tenho notícias das duas compras. A loja simplesmente me odeia, foi o que concluí.

Sem nada pra fazer além de esperar e me lamentar, vim aqui desabafar e colocar fotos da dita cuja, que já vai nascer turbulenta.


Pelo menos a bicha realmente é linda. Enfim, vou definhando nessa espera até sabe-se lá quando. E ainda vou ter q recusar uma e pedir o reembolso, outro processo chato. Mas espero resolver tudo e depois só ser feliz com minha filha grunge.
E espero que ela vista bem porque tudo isso e depois ainda não gostar ia ser foda kkkkkkk.

Dill, xx.

quinta-feira, 16 de abril de 2020

jackies

Hoje venho com um motivo menos sério, mais entediado. Só queria falar dos meus últimos desejos de moda. Basicamente jaquetas. Falar de jaquetas pra mim é maravilhoso, essa peça de roupa que me cobre, me faz sentir protegida e forte. Nos últimos tempos, fiquei obcecada com o modelo bomber, porque era o meu sonho há bastante tempo ter uma preta e nesse mês eu finalmente consegui. As primeiras fotos aqui são de uma bem parecida com a que comprei. O resto é inspiração 💜.





Estou simples, vejam. Querendo pouca coisa, hah.

C'est tout.

Dill, xx.