terça-feira, 6 de outubro de 2026

Days

Os dias estão passando rápido, difíceis, duros e inesperados. Estou em meio a uma tentativa de mudança (literal, geográfica), que às vezes acho que já tirou de mim tudo que eu tinha pra dar. O processo inteiro foi e está sendo desgastante de uma forma que nunca imaginei que aguentaria, e acredito que eu realmente não aguentaria se não fosse pelo meu namorado. Todo o processo parte do sentido de começar uma vida com ele, de ter mais tempo com ele e construirmos nossa vida juntos a partir disso. 
Eu sou e sempre fui muito romântica e leal, e gosto muito da ideia de relacionamentos como empreendimentos de uma vida, do companheirismo certo, do amor, de certa forma, garantido. Minha família tem significado tudo menos isso pra mim.
Ainda assim, é difícil pra mim ficar realmente alegre, menos ainda realmente feliz com tudo isso. Tenho momentos de muita, muita alegria e muita gratidão de estar vivendo algo que munca achei que viveria. Mas essa alegria é substituída muito rápido por pura preocupação.
Tenho sentido medo constantemente, sem saber de fato como vou me sustentar nos próximos meses. Apesar disso, consigo diferenciar muito essa preocupação da pressão brutal que eu estava sofrendo no meu trabalho anterior. Com certeza prefiro ser triste do que estar sob pressão. Tenho mais familiaridade e lembranças boas com a tristeza.
Não sei se é um dia bom para escrever, estou me sentindo meio oca. Tive um dia fisicamente muito exaustivo com meu namorado, mas fizemos muito progresso na casa. Mas durante e depois do processo me peguei me perguntando por quê as coisas têm que ser tão difíceis pra gente. Fico triste vendo como o processo de venda da casa foi extremamente sofrido, e como o pós venda tem sido uma grande sequência de descoberta de problemas e tentativas de remediaçöes.
Ao mesmo tempo, me sinto apenas entrando na vida adulta sem nenhum tipo de guia, e quando paro pra pensar, percebo que conheço casos semelhantes, e que várias pessoas têm problemas nas suas casas, etc. Nesses momentos, fico feliz por ter a minha casa agora para dar problema.
Mas como sempre, tem algo muito indigesto nisso tudo. A forma como tenho me sentido cada vez mais isolada, física e emocionalmente, me preocupa, me revolta, me deixa triste. Nessa questão toda da casa, por exemplo, estive absurdamente sozinha. Muito por escolha própria, mas também, como sempre, ninguém procurou saber. Esse silêncio mortal na minha família me revolta, mas não tenho mais forças pra sentir raiva. Só quero ir embora.

É triste saber que tudo poderia ser mais fácil, que tem pessoas que passam por isso tudo com apoio, e que eu caminho muito sozinha. Mas é quem eu sou e é o que eu tenho. Nunca esperei viver tanto, e não descarto a morte em momento algum. Estou enquanto posso estar. Espero conseguir viver com tranquilidade o tempo que me for possível.

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